ALAILSON AMORIM NEXTEL
Quando as operadoras GSM entraram em ação no Brasil, prometiam tecnologias revolucionárias como mensagem multimídia, videoconferência e TV móvel no celular. Outra promessa era o uso de tecnologia Push-to-talk (PTT, ou ligação direta via rádio), na qual a grande fornecedora sempre foi a Nextel. Os anos foram se passando e o PTT foi sendo relegado a segundo, terceiro e último planos. O PTT acabou sendo lançado, pela Vivo, Claro, TIM e também pela Oi. Mas a adoção não foi nem a sombra do que as operadoras esperavam. Simplesmente porque PTT virou sinônimo de Nextel e, hoje, é praticamente impossível separar os dois. Enquanto isso, a Nextel, que já vindo recebendo a extremunção dos pessimistas do mercado, deu a volta por cima, mostrou a que veio e, acreditem: cresceu. No primeiro trimestre de 2005, o crescimento foi de cerca de 5%. Do ano passado para cá, diz a empresa, o crescimento foi ainda maior. Os últimos dois anos têm sido incríveis para a empresa, que já passou dos 700 mil usuários - a maioria esmagadora no mercado corporativo - e passou a adotar tecnologias dos concorrentes que fazem com que um aparelho Nextel hoje seja muito mais do que um rádio. O case Nextel é um dos mais interessantes do mercado de telecomunicações. Quando se junta quatro grandes operadoras querendo invadir um mercado, é difícil imaginar que uma empresa, sozinha, consiga se manter. Pois a Nextel não só conseguiu manter sua posição como, surpreendentemente, cresceu e, agora, faz o movimento inverso: começa a adotar as tecnologias que as outras quatro vendiam como diferencial. Exemplos? O mais recente lançamento da Nextel, o aparelho Motorola i870, tem MP3 Player de qualidade - memória que chega a 512Mb com o uso de um cartão MicroSD, o que é suficiente para armazenar mais de 200 músicas em formato MP3 -, uso de Bluetooth para viva-voz; mensagem multimídia, acesso à internet via WAP (com as limitações básicas de tela), aplicativos em Java e câmera de 1.2 megapixels. Ou seja, tudo o que qualquer celular GSM ou CDMA têm e ainda o facilitador do rádio. No aparelho, o que mais chama a atenção é a facilidade que o usuário tem na hora de procurar as funções. Curioso é que no mercado IDEN (tecnologia usada pela Nextel) a Motorola faz o que não faz em seus produtos GSM ou CDMA. A interface de um Nextel é muito mais simples e intuitiva. Se antes os aparelhos Nextel eram rádios que ganhavam funções de telefones celulares, agora é difícil separar os dois. O rádio acaba sendo um complemento de um celular que, além de falar e ter uma excelente cobertura, ainda tem conexão direta PTT. E é aí que entra o único senão dos aparelhos Nextel: justamente por trazerem a função de rádio, eles ainda são uns trambolhos. Muito já evoluíram nos últimos anos - e a Motorola tem contribuído sensivelmente para isso. Não à toa, marcas como a Pininfarina - que desenha quase todos os carros da Ferrari - já andou brincando de fazer modelos Nextel. Como não pode diminuir muito o tamanho, por conta das funções que vão sendo agregadas, a operadora, junto com a Motorola, decidiu abusar do design. Tem dado certo.
